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Por. Luís Tuculet Publicado em: 31/03/2010

Namm Show 2010 - A década da esperança

Os resultados da última edição da NAMM encheram de expectativas os organizadores, que viram a saída de uma das crises econômicas mais difíceis desde a Segunda Guerra Mundial

A NAMM SHOW deste ano gerou mais expectativas que nos anteriores, e não foi para menos. Esta foi a primeira exposição e feira de comércio, em solo norte-americano, e teve o peso de ser o barômetro para prognosticar como serão os próximos 11 meses em matéria de volume de negócios em todo o mundo.
Este evento também é o que inaugura o calendário anual onde os fabricantes de instrumentos e equipamentos musicais se reúnem com vendedores para negociar as operações importantes para o resto do ano e conhecer em primeira mão as novidades que os fabricantes têm a oferecer para o grande público.

Assim, a NAMM SHOW 2010 foi muito mais além do que trazer expositores e novidades: transformou-se em uma verdadeira cerimônia de quatro dias para conjurar a nuvem negra da crise de 2009. A National Associations of Music Merchants (NAMM) foi muito clara em seu balanço final de atividades: “A nova década traz esperanças aos fabricantes e revendedores de produtos musicais”.

O subsídio aumentou em todos os aspectos, deixando para trás a pior crise econômica da história recente, cujo epicentro foi justamente os Estados Unidos.

Cifras não mentem

Os números da feira sustentam o otimismo dos organizadores. Segundo as cifras oficiais, a exposição contou com um total de 87.569 visitantes credenciados, representando um incremento de 2% em relação ao ano anterior – mesmo que a participação internacional tenha decrescido em 2%. A respeito disso, é necessário levar em conta que a Europa está se preparando para a Musikmesse (veja matéria da p. 100) e que, em pouco tempo, teremos a Sound Check e a Palm Expo China (p. 102). São muitos eventos em curto período de tempo que, sem dúvida, geram concorrência em épocas de fragilidade econômica.

Afora isso, a associação celebrou um crescimento de 250 expositores em relação ao ano anterior, totalizando 1.373 empresas com estandes no prédio. Um recorde histórico na feira que já tem 108 anos de vida e mostra um entusiasmo renovado pelo mercado.

Joe Lamond, presidente e CEO da NAMM, esclareceu: “Este ano a NAMM Show significou um ponto de quebra crítico para a indústria internacional de produtos musicais. É um sinal do inicio da recuperação com compradores voltando aos seus lugares de origem com energia renovada, paixão e esperanças para um 2010 excelente, e expositores desfrutando do enorme número de visitas e vendas, enquanto apresentam produtos inovadores no mercado”.

As vozes do mercado

Os fabricantes e expositores concordam com esse sentimento de recuperação. Paul Jerningan, vice-presidente de marketing global da Fender, não deixa espaço para dúvidas: “O sentimento geral que percebemos em nossos clientes e sócios comerciais é comovedoramente positiva. Estamos extremamente de acordo com a resposta de nossos varejistas com nossa oferta de produtos”, afirmou.

O vice-presidente sênior da Yamaha, Rick Young, disse: “Nosso estande esteve cheio desde o primeiro dia e nossos distribuidores estavam tão entusiasmados e cheios de energia na NAMM Show que fiquei realmente animado”. Isso também colocou as coisas em perspectiva. “Dado tudo o que vivenciamos ano passado, a Yamaha está muito agradecida pela recepção que nossos produtos e serviços tiveram; agora este sentimento positivo deve ser transferido para as vendas”, completou.
Também ficou claro que no setor de equipamentos e tecnologias o cenário entusiasta se repetiu. “Vimos um monte de velhos amigos passando pelo estande e fazendo pedidos importantes, foi um grande show para nós, tanto em relação a vendas, quanto a novos contatos, assim, esperamos poder concretizar mais e melhores negócios no futuro”, explicou Kristina Hodgson, da Shure Inc.

Para Dennis Houilhan, presidente da Roland: “Definitivamente otimismo genuíno a respeito de 2010 foi uma atitude muito importante das lojas varejistas e revendedores; a resposta a nossos produtos e tecnologias foi muito forte; o lema da NAMM este ano foi ‘Get Ready!’ (Se prepare!) e os distribuidores realmente estavam preparados para comprar e começar 2010 com muita força”.

Capacitação para todos

Como é de costume, e parte de seus objetivos enquanto organização, a NAMM dedicou um importante espaço, tanto físico quanto em tempo e variedade de temas, à capacitação. Com o intuito de propor aos participantes as melhores oportunidades para sair da recessão fortalecidos, com mais conhecimento e um posicionamento mais sólido, este ano a HOT Zone (Hands-on-training) focou exclusivamente em temáticas concretas.

Como parte da proposta, os membros da organização foram convidados a repensar, reconstruir e planificar o futuro da indústria. Analisando os desafios atuais, o fórum trabalhou na criação de soluções sob medida para profissionais de áudio (gravações e ao vivo) e instalações de iluminação e cenários.

Entre os tópicos tratados estiveram: os 15 erros mais comuns que os pequenos comerciantes vêm cometendo, Instrumentos Musicais do Século 21, construindo seu estúdio de gravação e vender sua música on line, e como criar um fluxo colaborativo de trabalho na indústria musical.

A última tecnologia

Como em todo mega show, a tecnologia foi uma das estrelas que mais brilhou no céu da NAMM 2010. A Sennheiser apresentou a versão 3.2 do software Wireless Systems Manager, disponível para Mac, direcionado para profissionais que utilizam sistemas de microfonia sem fio e de monitoração pessoal.

É essencial para os engenheiros de áudio, seja em estúdio de transmissão ou em grandes e diversos cenários, trabalhar com um software de controle, tanto para microfonia sem fio, quanto para os sistemas de monitoração. Com esse software o equipamento pode ser pré programado, ajudando a localizar canais de rádio, a mostrar onde podem existir problemas de recepção e passar facilmente os parâmetros para o computador de todos os transmissores e receptores. Essa característica agiliza e facilita o trabalho do engenheiro de som em uma apresentação ao vivo, onde as coisas acontecem muito rápido.

A gigante SONY também apresentou novidades: este ano os músicos convocados para as demonstrações foram Rudy Sarzo (Ozzy Osbourne, Quait Riot, Whitesnake, Dio), que se encarregou do Vegas Pro, e Jason Gleed (Alvin and the Chipmunks – The Squealquel, Speed Racer e o vídeo “Let’s do This”, da Miley Cirus), que realizou trabalhos de pós produção de áudio com o software Acid Pro.

No estande, os visitantes puderam participar da Sony Virtual Rock Experience. Os participantes podiam selecionar pistas com gravações de Rudy Sarzo tocando baixo e pegar uma guitarra para executar um solo. Todas as participações foram registradas em vídeo. Logo, por meio da magia do Chroma Key (utilizando o Vegas 9) os visitantes foram incluídos em uma apresentação de Rudy.

Outra estrela foi o KAOSSILATOR PRO, da Kong – uma versão ampliada do KAOSSILATOR, renascido como uma poderosa ferramenta para criar pistas especialmente desenhadas para apresentação ao vivo. Conta com200 programas de som, um novo gate arpegiador basado en el Electribe, e quatro bancos de gravação em loop que podem inclusive gravar fontes externas de audio. Fora isso, a conexão USB com o organizador e o cartão de memória SD de almacenamiento o permite ser utilizado em apresentações improvisadas, agindo também como uma magnífica e intuitiva ferramenta de produção musical.

Outra novidade que atraiu muita atenção foi a do IK Multimedia, com a nova versão de seu software AmpliTube3, que contém uma grande quantidade de atualizações tornando-se um dos programas mais completos para guitarras e baixos.

O novo AmpliTube3 possui cerca de 160 modelos de simulação, entre os quais se encontram 51 stompboxes e efeitos, 31 amplificadores, preamplificadores e fases de potência, 46 tipos de altavoces, 15 microfones e 17 efeitos de post-amp-rack.

Presenças de alto impacto

Mas nem tudo são negócios e capacitação. Uma indústria focada na arte depende justamente dos artistas para difundir seus produtos e inspirar novas gerações de músicos e profissionais de áudio, vídeo e iluminação.

A apresentação da Quincy Jones transbordou energia e a participação de Yoko Ono em uma delas, falando sobre a importância da educação musical para as crianças no ano em que John Lennon comemoraria 70 anos, se transformou em um referencial para as atividades acadêmicas. Além disso, ocorreram ainda as sessões de capacitação para varejistas, shows ao vivo com estrelas, que foram de Jason Mraz a Natalie Cole, passando por Ted Nugent, Gene Simons, Eddie Van Halen, John McLaughlin e Stevie Wonder, entre outros.

Em suma, a feira foi uma verdadeira festa que promete sua segunda parte para a NAMM Show de Verão, em apenas cinco meses, que será um bom período para repensar tudo que foi testado nesses quatro dias de encontro e consolidar as conquistas.

Empresas brasileiras na Namm 

A Santo Angelo, fabricante dos cabos e conectores, apresentou na Namm o Green Connections, que alia qualidade a técnicas de produção industrial que preservam os recursos naturais. O projeto faz parte do Programa Água de Reúso, desenvolvido na sede da fábrica, em Guarulhos, SP. Outras empresas brasileiras que expuseram na Namm foram a Meteoro,  Tokai (Ventura), Giannini, Bends, Hering, Izzo Musical, GNI (NIG), Weril, Elixir e Black Import. Mas não só, muitas outras empresas brasileiras também marcaram a presença e foram conferir as novidades da feira, como a Pride, Equipo, Tagima, Condor, RMV, a loja Playetch e muitas outras marcas.

Confira algumas fotos dos participantes na edição nº 47 da revista Música & Mercado.


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