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Por. Juliana Cruz Publicado em: 19/05/2010

Phonic: Otimismo e praticidade

O CEO da Phonic Corporation, Stephen Wang, explica como entrou no mercado de áudio, fundou uma empresa internacionalmente atuante e reconhecida, fala sobre o desenvolvimento de seus produtos e revela alguns segredos de sua administração

Engenheiro com MBA pela Oklahoma University, Stephen Wang entrou na indústria da música de forma modesta há 33 anos, mas em pouco tempo criou uma das maiores fabricantes de mixers do mundo, detendo 85% do market share.

Segundo ele, no início, cada país tinha pelo menos uma grande marca por não existir nenhum meio dinâmico de divulgação em grande escala, como a internet, por exemplo. Em dado momento, mesmo dominando essa fatia considerável do mercado, Wang achou que era hora de expandir. Foi quando decidiu parar gradativamente o processo de produção de mixers e partir para o áudio profissional. Após três anos de trabalho, tornou-se parceiro da Yamaha, que durou duas décadas. Depois, prestou serviços OEM (Original Equipment Manufacturer) para grandes marcas, como a Roland, Electro Voice, Fender, Dynacord, General Music e Audio Technica.

Atento às contínuas mudanças do mercado, o empresário percebeu, há mais de 15 anos, que haveria muito mais empresas chinesas concorrendo com eles na posição de OEM business e que, portanto, era hora de lançar seus produtos com uma marca própria. Assim nasceu a Phonic, já contando com distribuidores em vários países e da qual, além de fundador, Wang é o atual CEO.

Atuando há três décadas no mercado de áudio, a companhia é uma das poucas do segmento a possuir um set de tecnologia completo e a fabricar produtos de pro audio com bom custo-benefício. Essa vantagem se deve ao fato de a empresa ter conseguido apoio de engenheiros japoneses e ocidentais, que mostraram como fabricar bons equipamentos gastando o mínimo possível.

Os anos de experiência e ótimos contatos feitos pelo CEO renderam à empresa uma biblioteca com mais de 300 designs de produtos, facilitando o processo de criação dos novos. “Isso melhora muito as coisas, pois, com esse acervo, na hora do desenvolvimento é só escolher um design e inovar em cima do que já temos, o que diminui o custo de pesquisa e desenvolvimento. Ou seja, não precisamos começar do zero, apenas aprimorar um desenho que já existe”, explica Wang.

A escolha do segmento

Após se tornar conhecido no setor de pro audio, Stephen Wang conta que escolheu esse mercado específico por um motivo bastante simples: amor à música. O empresário também acredita que esse setor concentra pessoas mais “interessantes” do que outros. Ele ainda atribui a ascensão da empresa ao fato de estarem sediados em Taiwan, um dos maiores centros industriais tecnológicos do mundo, o que facilita o acesso a qualquer tipo de componente eletrônico. Esses fatores, somados à vasta experiência administrativa de Wang permitem à Phonic prover cada vez mais tecnologia para o consumidor final, considerando que quanto mais simples ela for, mais coisas o cliente poderá fazer com ela.

A simplicidade é levada bastante a sério pelo CEO. Sempre otimista, até a crise econômica mundial foi encarada com brandura pelo empresário que, na época, afirmou: “Acho que a crise internacional é positiva para nossa empresa, pois agora temos tempo para revisar cada um dos produtos em termos de especificações e design, além de custo e qualidade. Então, quando se tem bons negócios e a economia está boa, você só continua a produção. Já com a crise, é necessário rever tudo, fazer com que o produto seja mais competitivo e, consequentemente, atrair mais consumidores. Esse tempo é bom para revisar cada um deles”.

Além disso, Wang conta que usa períodos de dificuldade financeira do mercado para avaliar a produtividade de seus funcionários — a fim de motivá-los — e para pesquisar novas tecnologias, não apenas para manter a estabilidade da empresa, mas para torná-la mais preparada quando a crise passar. Em relação ao desemprego inerente diante de dificuldades econômicas, o empresário garante que não precisou fazer grandes cortes de funcionários na empresa.

O que a Phonic faz com seu dinheiro?

De acordo com o executivo, a maior parte dos rendimentos da empresa é direcionada a campanhas internas de motivação e pesquisas, um diferencial entre outras empresas, que, quando começam a expandir, passam a ostentar e, em momentos difíceis, acabam sofrendo as consequências de forma mais impactante. “Muitas companhias crescem e começam a investir em equipamentos desnecessários, o que lhes causa um aumento de débitos; nós não fazemos isso. Somos compactos. Existem empresas que compram coisas que sequer sabem se vão usar. Nós não. Pro audio é o que fazemos e é isso que irá encontrar em nossas fábricas. Não precisamos carregar um monte de bagagem, queremos ser leves, pois o mercado é dinâmico, se move rápido e, assim, é mais fácil para acompanhá-lo, seja no segmento de gravação ou de pro audio”, explica. Para reforçar, Wang faz uma analogia interessante: “Uma empresa deve se mover como um leopardo. Ele não tem algumas costelas, é magro e muito rápido. Ele consegue alcançar seu objetivo com uma velocidade impressionante. Acho que uma boa empresa deve ser assim”.

Sobre resquícios da crise, causadora de queda nas exportações do país, e considerando que as economias norte-americana e europeia ainda não se recuperaram completamente, Stephen Wang acredita que até meados de 2011 ou início de 2012 o mercado internacional estará completamente restaurado e as exportações chinesas voltarão com toda a força, nivelando a situação. Ele ainda acha que, quando isso acontecer, a Phonic poderá  produzir parte de seus produtos no Brasil, como forma de economizar em impostos e transporte para a América Latina.

O CEO da Phonic antecipa um mercado dominado por menos de dez grandes fabricantes e explica o porquê: “Se você não está entre os cinco primeiros, não é tão grande, porém os custos são iguais para todos, logo, sobra menos dinheiro para investir e vai acabar vendendo cada vez menos. Em segundo lugar, vem a tecnologia. Quando formos todos para o sistema wireless ou de tecnologia digital, ficará ainda mais difícil de entrar nesse círculo”, conclui. 

Como não naufragar com a economia

“Em momentos de crise a maioria das empresas sempre reclama da baixa lucratividade e de queda nas vendas, mas continuamos achando lojistas que continuam a fazer dinheiro. Eles tomam vantagem sobre a economia ruim, e ficam à frente da concorrência. Mas como eles fazem isso? Primeiro: oferecem o melhor serviço. Segundo: os consumidores têm facilidades para comprar na loja, em relação à forma de pagamento. Terceiro: possuem preços competitivos. E, por fim, quarto: possuem muita informação sobre os produtos.” (Stephen Wang, fundador e CEO da Phonic Corporation)

O segredo da Phonic

“Para surpreender seu cliente é necessário entender que uma coisa é inovar, outra é criar produtos novos. Muitas vezes o cliente nem sabe, mas está em busca de novidades, de coisas melhores e diferentes. Atentar para as necessidades do consumidor é a melhor maneira de fazer com que o mercado tenha uma economia mais estável. Levando em consideração as condições de sua empresa, saberá o momento certo de inovar em cima de um produto que já fabrica — o que pode conter, e muito, os gastos — ou pesquisar e criar algo completamente novo.”  (Stephen Wang, fundador e CEO da Phonic Corporation)

RAIO X

Nome: Stephen Wang
Experiência no mercado: 33 anos
Formação: Engenheiro com MBA pela Oklahoma University
Empresa: Phonic Corporation
Cargo: CEO
Ano de fundação da companhia: 1977
Quantidade de países onde atua: cerca de 90
Funcionários: 600 (aproximadamente)
Distribuidor no Brasil:
Strike Music
Tel.: (11) 2787-0400

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