Criatividade com qualidade reforçada
Fábrica da EMG une produção automatizada a controle de qualidade humano
Com muito equilíbrio entre o emprego da tecnologia e tarefas manuais, a fabricante de captadores e acessórios para guitarra norte-americana EMG é uma das poucas capazes de realizar todas as etapas de produção, desde a manufatura dos componentes até a embalagem final.
Por volta de 1974, Rob Turner, baterista e engenheiro eletrônico, começou a construir captadores com pré-amplificadores embutidos para turbinar as guitarras de seus colegas de banda. Com a procura por seus produtos, em 1976 obteve sua primeira licença para vender os equipamentos. Ele nunca esperou tornar-se a grande empresa de hoje, mas, incentivado por seu amigo Hap Kuffner, em 1983 Turner decidiu arriscar e foi para a Alemanha divulgar seu produto. Como se sabe, Turner teve sucesso e transformou a EMG Inc. em uma multinacional.
Desde aquela época, a empresa não parou mais de crescer e inovar, criando novos designs para os captadores e um sistema sem solda de fixar componentes no espelho das guitarras, baixos e outros circuitos eletrônicos. Para conhecer um pouco mais sobre a companhia, a M&M realizou uma visita à fábrica e aproveitou para entrevistar seu bem-humorado fundador. Leia a seguir.
Sendo, originalmente, um baterista, o que o levou a trabalhar com captadores?
Eu tocava em bandas e sempre falávamos sobre como seria legal mudar um pouco o som da guitarra. Então, a pergunta era: como fazer isso? Poderíamos usar amplificadores ou, quem sabe, cordas diferentes, mas o captador é como se fosse um pincel, a ferramenta que de fato realiza o trabalho. Logo, como meu pai tinha uma loja de equipamentos eletrônicos e costumávamos ensaiar em um galpão ao lado, eu pegava emprestadas algumas coisas para modificar os captadores. Foi assim que entrei nessa. Mas, de qualquer forma, ainda toco bateria com meus amigos aos fins de semana.
Uma coisa é saber como desenvolver captadores, outra é montar uma empresa. Como você fez isso?
Tive muita sorte. Como meu pai tinha seu próprio negócio e trabalhei com ele por algum tempo, embora não lidasse com o lado financeiro, me familiarizei com a rotina administrativa. No mundo dos negócios, com talento e sorte vêm os lucros e depois o crescimento.
Você tinha ideia de que a sua empresa seria uma multinacional reconhecida?
Na verdade, minha intenção era vender alguns captadores por mês e viver disso. Foi Hap Kuffner, por volta de 1983, quem disse: “Você precisa levar isso para o exterior, vamos para Frankfurt”. Acho que tinha 800 dólares no banco quando fomos e nem olhei para trás. Mas não nos tornamos uma grande empresa da noite para o dia. No início tínhamos três funcionários, depois passamos para oito e assim fomos crescendo de forma bastante natural.
A EMG é uma das poucas empresas que realmente atentam para a América Latina. Como você trabalha na região há algum tempo, qual é a sua opinião sobre o mercado latino-americano hoje? Realmente estamos na América Latina há um bom tempo. Temos distribuidores no Brasil, Argentina, Equador e em alguns outros países. Enxergamos o mercado como possibilidade de nos comunicar, então buscamos ao máximo criar vínculos, não apenas profissionais, mas também de relacionamento pessoal com as empresas. Por isso elas conseguem nos entender e nos dão abertura, mesmo fabricando algo diferente. Mas confesso que o mercado latino-americano tem sido difícil, pois há muita flutuação financeira. São governos entrando em colapso, ou demasiadamente protecionistas, como o próprio Brasil costumava ser anos atrás.
Quais as verdades e mitos sobre a EMG?
As verdades são os benefícios. Como o pré-amplificador é inserido diretamente no captador, todos os ruídos são eliminados na fonte. Nossa voltagem pode ser alta ou baixa, o equipamento pode ser ligado via cabo ou wireless e ainda assim continuará soando da mesma forma, diferentemente dos captadores comuns. Quanto aos mitos, para alguns, nossos captadores têm som estéreo ou gastam muita bateria, mas não isso não é verdade.
Com o aumento do uso da internet, o que mudou no mercado sob seu ponto de vista?
É fato o quanto as vendas on-line têm mudado o mercado dos EUA, por exemplo, onde as lojas de instrumentos costumam ser enormes e cheias de produtos. Creio que as pessoas têm perdido o ânimo de fazer compras em lojas, principalmente por conta do mau atendimento, tornando o meio on-line a melhor alternativa — embora pela internet você não consiga ter lições com os vendedores.
Você falou sobre bom e mau atendimento, então, se fosse você, como ajudaria um cliente indeciso a escolher um captador?
Eu perguntaria que guitarra e amplificador ele tem. Em seguida pegaria um instrumento similar e tocaria para ele perceber melhor o som, pois, às vezes, a própria guitarra já possui o timbre buscado pelo cliente. Depois de avaliar tudo isso, indicaria o captador mais adequado para suprir o que estivesse faltando. Por exemplo, o Jazz Bass [contrabaixo da Fender] tem uma ponte pequena, ótima, pois permite o destaque do timbre natural da madeira do instrumento.
Qual a dica para promover melhor os captadores?
Informação é a chave. Informar o cliente que ele pode ter um som melhor, uma variedade diferente de coisas para tocar por meio dos captadores, tal como teria com o uso de efeito. Nossa marca possui ao menos cinco estilos de humbucker diferentes, que podem ser trocados facilmente para proporcionar essa variedade de som.
Que produto você considera como o mais significativo da EMG nos últimos cinco anos?
Os captadores da X Series foram os mais significativos já feitos por nós. Quando fizemos a Origin Series, ainda seguíamos muito mais regras, por isso foi muito legal finalmente nos livrarmos delas e simplesmente dizer: “Vamos nessa!”. Poder fazê-la sem ter de nos preocupar em seguir padrões preestabelecidos foi ótimo. Conseguimos colocar todos os elementos necessários na X Series, tanto em relação ao modelo, circuitos etc.
O que os lojistas podem esperar da EMG em relação às novidades em produtos?
Tenho trabalhado com alguns artistas e teremos novidades incríveis para 2011. Fora isso, estamos tentando nos voltar mais para a empresa, criando produtos complementares aos que já produzimos, como pré-amplificadores e acessórios. Queremos criar uma situação na qual o cliente possa ser 100% EMG.
Por dentro da fábrica
Dado o forte investimento feito pela gestão da empresa em equipamentos, o setor de modelagem da oficina conta com máquinas capazes de produzir, sem necessidade de intervenção humana, os moldes das bobinas, carretéis e blindagens, além do ato de desencapar as pontas dos fios a serem utilizados na fabricação dos circuitos.
É interessante ressaltar que, entre uma etapa e outra de modelagem, cada componente é verificado por uma equipe treinada de funcionários a fim de garantir a inexistência de falhas, como bolhas de ar, por exemplo.
Depois de todos os itens ficarem prontos, são encaminhados para a área de produção, onde é feita a montagem das peças. Os grupos de trabalhadores presentes nessa seção vão desde a equipe de SMT (Surface Mount Technology), responsável por montar os circuitos, aos estampadores, que imprimem o logo da EMG nos produtos e EMGHZ nos que não possuem componentes eletrônicos.
Após serem colocados em suas respectivas caixas, os empacotadores conferem, uma a uma, as embalagens antes de liberá-las para o varejo. Dessa forma, todos os produtos EMG encontrados nas prateleiras da sua loja passam por essa harmoniosa interposição entre tarefas manuais e automatizadas.
Raio X
Marca: EMG Inc. O que faz: Fabricação de captadores, circuitos e outros componentes eletrônicos Localização da sede: Santa Rosa, Califórnia, EUA Área da fábrica: 30.000 m2 Atuação: Mais de 60 países Faturamento anual: Entre 10 e 15 milhões de dólares Número de funcionários: 100, aproximadamente No Brasil: O distribuidor oficial é a Condor Music. Contato: (61) 3629-9400 / www.condormusic.com |